Alcançar o sonho da casa própria ou até mesmo do primeiro carro exige planejamento financeiro e espírito poupador. Mas, para quem não tem pressa de adquirir um bem e quer passar longe dos altos juros da maioria das linhas de crédito bancário, a melhor opção é o consórcio. “Embora o ideal seja comprar os bens com dinheiro próprio, sem recorrer a uma linha de crédito, o consórcio é perfeito para aqueles que desejam obter um carro ou uma casa mas não têm disciplina financeira suficiente para rechear uma poupança”, explica Silvio Paixão, professor de finanças da Fipecafi.
O princípio desse sistema é bem simples. Primeiro, é preciso procurar uma instituição financeira que reunirá um grupo de pessoas que estejam interessadas em comprar um carro ou imóvel em condições semelhantes. O prazo pode variar bastante, chegando a 72 meses para automóveis e 144 meses, ou 12 anos, para os imóveis.
Após a escolha do grupo, todos os participantes contribuem com um valor destinado à formação de uma poupança comum. Com esse dinheiro, uma ou mais pessoas são contempladas por sorteio com uma carta de crédito, o que permite a compra do bem à vista. Dependendo da disponibilidade financeira do grupo, é possível que você ofereça lances e consiga a contemplação sem depender tanto da sorte. “Os consórcios são muito mais econômicos que um financiamento e oferecem uma série de flexibilidades. Com a carta de crédito em mãos, você não precisa ficar preso a apenas um tipo de imóvel ou carro. Ele te dá a chance de escolher”, ressalta Paixão.
Taxas e benefícios – A grande vantagem dessa modalidade é que não há cobrança de juros. No entanto, os bancos costumam cobrar uma taxa de administração, além de um valor para constituir um fundo de reserva para compensar possíveis perdas com participantes que já tenham sido contemplados e ocasionalmente deixem de pagar as parcelas. Esses valores estão embutidos em cada uma das mensalidades programadas até o final do grupo. “As taxas cobradas pelos bancos em um consórcio são muito mais razoáveis do que em um financiamento ou em qualquer tipo de empréstimo. Mas é preciso pesquisar para encontrar a taxa que seja mais vantajosa para seu bolso”, afirma Paixão.
Há cerca de dois anos o governo federal permitiu que o FGTS seja utilizado para liquidar, amortizar ou efetuar parte do pagamento das prestações em consórcios de imóveis. “O Fundo de Garantia rende muito pouco quando está parado. É um investimento muito melhor para este dinheiro”, revela Paixão.
Mesmo assim, é importante realizar um planejamento financeiro antes de contratar um plano de consórcio. De acordo com o professor de finanças pessoais da FGV-EESP, Samy Dana, o ideal é que o valor das parcelas não ultrapasse 20% do salário. “Usar o cheque especial para pagar o consórcio é um péssimo negócio e deve ser evitado a qualquer custo”, explica. Para o professor, também é importante não contar com possíveis aumentos salariais ao fechar o plano de consórcio. “Quando se está no começo da carreira, o aumento de salário é quase certo. Porém, o planejamento deve ser feito sempre com os ganhos atuais, sem comprometer o futuro”, alerta.
Em casos de inadimplência antes da contemplação com a carta de crédito, o consorciado não perderá o dinheiro e nem terá seu nome incluído em cadastros como SPC ou Serasa – ao contrário do que acontece em outras modalidades de empréstimos bancários. No entanto, só será possível reaver o dinheiro investido ao final do grupo. Já se o beneficiado deixar de pagar as parcelas depois de ser contemplado, o carro fica alienado em nome do consórcio até que todas as prestações sejam pagas.
A seguir, confira as informações vigentes em 2011 sobre consórcios de alguns bancos que oferecem o serviço.
HSBC
Automóveis
Prazo: até 72 meses
Taxa de Administração: até 14%
Contemplação por mês: 1 contemplação por sorteio da loteria federal e 3 por lances, dependendo da disponibilidade financeira do grupo.
Imóveis:
Prazo: até 144 meses
Taxa de Administração: 17% + 1,0% de antecipação nas 4 primeiras parcelas
Utilização do FGTS como lance, para quitação de parcelas e amortização de saldo devedor.
Contemplação por mês: 1 contemplação por sorteio da loteria federal e 5 por lances, dependendo da disponibilidade financeira do grupo
CAIXA
Automóveis
Prazo: até 70 meses
Taxa de Administração: 14% + antecipação de 1% nas quatro primeiras parcelas + Percentual de seguro de vida de 0,068% + 3% de fundo de reserva.
Contemplação por mês: 2 contemplações por sorteio da loteria federal e 3 por lance de acordo com a disponibilidade financeira do grupo.
Imóveis
Prazo: até 150 meses
Taxa de Administração: até 18% + 1,0% de antecipação nas 4 primeiras parcelas + Percentual de seguro de vida de 0,068% + 5% de fundo de reserva.
Utilização do FGTS como lance, para quitação de parcelas e amortização de saldo devedor.
Contemplação por mês: 1 contemplação por sorteio da loteria federal e 5 por lances, dependendo da disponibilidade financeira do grupo.
BRADESCO
Automóveis
Prazo: até 72 meses
Taxa de Administração: 12% no período total + Fundo de reserva + Seguro de vida
Contemplação por mês: 1 contemplações por sorteio da loteria federal e 1 por lance, podendo variar de acordo com a disponibilidade financeira do grupo.
Imóveis
Prazo: até 144 meses
Taxa de Administração: até 18% + Fundo de reserva + Seguro de vida
Utilização do FGTS como lance, para quitação de parcelas e amortização de saldo devedor.
Contemplação por mês: 1 contemplação por sorteio da loteria federal e 1 por lances, podendo variar de acordo com a disponibilidade financeira do grupo.
BANCO DO BRASIL
Automóveis
Prazo: até 75 meses
Taxa de Administração: 11% no período total + 3,5 % de Fundo de reserva + seguro de vida
Contemplação por mês: 1 contemplações por sorteio da loteria federal e 1 por lance, podendo variar de acordo com a disponibilidade financeira do grupo.
Imóveis
Prazo: até 144 meses
Taxa de Administração: até 18% + Fundo de reserva+Seguro de vida
Utilização do FGTS como lance, para quitação de parcelas e amortização de saldo devedor.
Contemplação por mês: 1 contemplação por sorteio da loteria federal e 1 por lances, podendo variar de acordo com a disponibilidade financeira do grupo.
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