Há 10 anos, a campanha do Ano Internacional do Voluntário despertou algo em mim, e fui tomada por uma vontade enorme de ajudar. Eu queria ser uma “amiga da escola”, o que não ocorreu por vários motivos. Somente cinco anos depois que o velho sonho de me tornar voluntária se concretizou.
Na época, eu era estagiária de uma empresa que atuava em diversos trabalhos voluntários. O projeto de que participei tinha o objetivo de incentivar a leitura nas escolas. A cada semestre, trabalhávamos um determinado livro paradidático com os estudantes e assim, pouco a pouco, uma biblioteca era formada na casa de cada um deles.
Certa vez, o livro não estava dando certo e a sala ficava cada vez mais dispersa. Comecei então a trocar e-mails com os demais voluntários a fim de encontrarmos alternativas. Em pouco tempo, já havíamos criado uma série de atividades para estimular o interesse na história, desde brincadeiras de forca e palavras cruzadas até mesmo um jogo de tabuleiro. As crianças adoraram.
Eu não sabia, mas, naquele momento, passei a ser reconhecida por todos da equipe do projeto como uma pessoa “engajada, criativa, comprometida, inovadora e cheia de iniciativa”. Não demorou muito para que esses elogios chegassem até a minha chefe. Não sei, mas tenho a impressão de que a minha efetivação na empresa teve algo a ver com isso.
De todos os benefícios inesperados pela minha iniciativa de “ajudar o próximo”, acho que o mais surpreendente foi o quanto aprendi sobre mim mesma: tantas habilidades que eu nem suspeitava ter. Descobri inclusive a minha verdadeira vocação: desenvolver pessoas e compartilhar, compartilhar e compartilhar.
Essa aptidão pode parecer um pouco vaga, mas toma forma quando olho para os outros trabalhos voluntários em que atuei depois disso. Todos estiveram de algum modo ligados à educação: ensinei sobre empreendedorismo em escolas, fui contadora de estórias em hospitais, dei aulas de inglês a imigrantes no Canadá e acompanhei crianças em visitas a museus.
E não é que hoje a minha área de atuação é o RH, justamente o setor destinado a desenvolver pessoas e a compartilhar informações por meio da comunicação interna das empresas?
É então que reflito sobre o tempo decorrido entre o meu “despertar” para a possibilidade de ser voluntária e a ação de fato. Poderia nunca ter acontecido. Tantas vezes temos ideias e planos que nunca são colocados em prática. E quanto nós perdemos, quantas experiências maravilhosas deixamos de vivenciar! Algumas pessoas nascem com o dom de ajudar. Talvez você seja uma delas e nem mesmo saiba disso. Desperte o voluntário que existe em você!
Leia também:
Por que o trabalho voluntário pode contar pontos no currículo